“Noite na BE com a Infanta”
Foi a convite da Professora Filomena Pedroso que me aventurei como monitora na “Noite na BE com a Infanta”.
A atividade de receção aos alunos do 7.º ano, realizada pela Biblioteca Escolar da ESIDM, consistia (expectavelmente) na leitura de um conto, na exploração da escola à noite com lanternas, um momento de leitura coletiva, numa breve “ceia” antes de dormir e na famosa dormida na escola. No dia seguinte, estes alunos acordam já na escola, “frescos” para o seu primeiro dia de aulas.
Então, com um saco-cama atrás de mim (que me garantiu passagem livre para ser alvo de chacota pelos meus amigos), lá fui eu dormir na escola como “ajudante voluntária”.
O meu papel era muito simples: mexer a massa das panquecas para o pequeno-almoço, entregar a etiqueta correspondente a cada aluno, passar slides, não deixar ninguém do meu grupo nos túneis da escola (tive sucesso) e só adormecer quando conseguisse ouvir todas as meninas que me rodeavam a ressonar.
Mas quem seria eu se me limitasse apenas a isso?
Esta experiência permitiu-me viajar aos meus primeiros dias do 7.º ano. Revivi aquela animação de começar um ciclo novo. Revi-me naquelas meninas que só sabiam rir, deitadas no chão e acompanhadas pelas amigas. Encontrei novamente aquela bolha que nos acompanha quando ainda não sabemos o que nos espera. E confirmei uma das minhas teorias preferidas: a autenticidade que se encontra nestes jovens é magnética, e grande parte de nós acaba por a deixar para trás quando cresce.
A certa altura, um grupo de meninas, com aquela curiosidade tradicional, veio ter comigo. Questionaram-me sobre o porquê de estar lá voluntariamente e se era apenas “para ganhar nota”. Algumas até admitiram que não gostariam de estar no meu lugar. No entanto, estaria a mentir se dissesse que não adorei cada segundo.
Não fui “para ganhar nota”, até porque não tenho aulas com nenhuma das professoras envolvidas na atividade, mas também não fui contrariada.
Essencialmente, fui por três motivos: gosto muito da Professora Filomena e da “Dona” Lili, da biblioteca; a atividade parecia ser muito interessante; e porque ter a oportunidade de dizer “já dormi na escola” parecia engraçado.
Contudo, no decorrer da noite, os meus motivos aumentaram.
Muito mais do que uma atividade de integração, é um sinónimo de empatia. Uma noite mágica, rodeada por professoras, funcionárias e voluntários fantásticos, que fizeram de tudo para proporcionar a estes alunos um dia inesquecível.
Fez-se questão de que todos se sentissem acolhidos naquele que será o lugar onde irão passar a maior parte do tempo nos próximos seis anos. Destacou-se a importância da leitura, criaram-se laços de amizade (incluindo eu, que agora tenho 15 afilhadas), reforçou-se a necessidade de uma rotina e realçou-se a importância de ter consideração pelos que nos rodeiam.
Mas, acima de tudo, mostraram a cada um destes jovens que, naquela escola, nunca estarão sozinhos.
E essa é uma segurança extremamente reconfortante quando se começa um novo ciclo.
Agradeço, de coração, a todos nós que tornamos possível esta atividade. E dou os parabéns a quem teve a iniciativa de a fazer acontecer. Mando um beijinho especial à Professora Marisa, que foi monitora comigo e foi uma excelente (e cómica) companhia.
Aos alunos, desejo-vos um ótimo início de aulas e que se sintam sempre bem-vindos nesta escola.
Se, no próximo ano, estiver lá novamente, não se admirem.
Fabuloso, consegui "viajar" pela noite na biblioteca através da tua escrita. Adorei e de certeza que os alunos se sentiram bem acolhidos!
ResponderEliminarMuito bem 🫶
ResponderEliminarPara mais tarde recordar
ResponderEliminarFica sempre gravado. Conheço a Dona Lili. Gargalhadas e bom disposição